NAC: DESPERTANDO NOSSO GIGANTE INTERIOR

Acho que vocês que seguem o nosso blog ou são novos mas já deram uma olhada nas postagens antigas já devem ter percebido que eu e a Fê estamos pensando muito ultimamente no nosso desenvolvimento pessoal, em busca de melhorar um pouco a cada dia a nossa vida. O grande desafio disso tudo é ter que descobrir o que realmente queremos (e se só queremos uma coisa, o que nem sempre é o caso. A Fê falou um pouco disso nesse post sobre Multipotencialidade) e, mais importante (e difícil), quem somos. Para alinhar nossas vidas com nossas expectativas, acaba se tornando obrigatório que nós precisemos transformar alguns comportamentos. Recentemente, me deparei com um livro que trata muito dessa temática de transformação, e sobre como podemos tomar controle de nossos pensamentos, ações e emoções para nos desenvolvermos. Trata-se de "Desperte seu Gigante Interior" (ou "Awaken the Giant Within", em inglês), do autor e coach Tony Robbins.

Para quem ainda não ouviu falar dele, Tony é considerado o maior coach pessoal do mundo, e já treinou grandes personalidades como Bill Clinton, a princesa Diana e Hugh Jackman. Nesse livro (que eu ainda estou lendo, então não pretendo fazer uma resenha completa aqui hahaha), Tony traz dicas essenciais para tomar o controle de nossas emoções e mudar nosso mindset. E hoje eu venho aqui compartilhar uma ferramenta que me atraiu muito a atenção e que eu estou querendo botar em prática: o Condicionamento Neuroassociativo.

Condicionamento Neuro o que?

O condicionamento neuroassociativo (ou NAC, do inglês Neuro-Associative Conditioning) é uma ferramenta usada  para que nós possamos detectar padrões negativos de comportamento, interromper esses padrões e substituí-los por comportamentos construtivos (se alguém chegou a ler O Poder do Hábito, talvez consiga traçar alguns paralelos entre os temas). Mais importante, ele nos traz a idéia de que mudanças podem, sim, acontecer em um instante, ao contrário do pensamento habitual que mudanças levam tempo para acontecer. Para isso, o processo requer uma boa dose de autoconhecimento e nos mostra seis passos que devemos seguir para conseguir atingir a mudança. Então sem mais demoras, vamos aos passos.

PRIMEIRO PASSO: SAIBA O QUE QUER MUDAR

Muitas pessoas, quando confrontadas com a pergunta "o que você gostaria de ter em sua vida?" acabam focando quase que automaticamente naquilo que elas não querem. A verdade é que definir o que realmente queremos pode ser difícil as vezes, mas nós conseguimos aquilo que buscamos. Se não sabemos o que buscar, nunca se sabe o que vamos conseguir.

Aqui, o importante é traçar um foco, e com esse objetivo em mente, podemos trabalhar na questão principal: "O que me impede de ter o que quero?".

SEGUNDO PASSO: ASSOCIAR DOR E PRAZER ÀS NOSSAS AÇÕES

Todo nosso ser se dedica a fugir da dor e buscar o prazer e saber entender e manipular exatamente o que nos proporciona cada uma dessas sensações pode nos dar a motivação para mudar.

Uma mudança verdadeira e duradoura vem não só da nossa vontade de mudar, mas da necessidade de mudar. Você pode estar preso em um relacionamento abusivo, mas que não consegue largar ele por causa da insegurança que "ficar sozinho" pode trazer. Isso continua até o momento em que é alcançado o limiar da dor. Aquele momento que a dor de ficar é tão intensa que mudar já não passa a ser tão assustador. É basicamente o momento que dizemos "CHEGA!".

Saber usar essa dor é uma ferramenta particularmente útil para trazer a mudança. Podemos usar perguntas como "o que vai me custar se eu continuar fazendo o que faço?". A dor mais estimulante que podemos usar a nosso favor é a dor interior. Aquela que traz aquela sensação de que falhamos com nós mesmos. 

Enquanto isso, precisamos associar prazer às ações que desejamos executar. Precisamos parar para nos perguntar: "o que eu tenho a ganhar se mudar agora?". Nós somos seres que buscamos recompensa, tanto exterior quanto interior. Lembrem-se do que vocês definiram no passo anterior e passem a imaginar tudo o que têm a ganhar atingindo aquele objetivo. Associem o maior prazer possível àquela meta e vão ter a motivação para mudar o que precisarem para atingi-la.

TERCEIRO PASSO: INTERROMPER PADRÕES NEGATIVOS

Precisamos conseguir enxergar quais são os padrões que nos limitam, aqueles  comportamentos que repetimos de forma automática, mesmo quando estamos querendo mudar. Se nós queremos mudar, não podemos cair nos mesmos padrões. 

Mas como interromper eles? Basicamente, saindo da zona de conforto. Se você quer parar de fumar e perceber a ânsia de colocar o cigarro na boca, faça algo diferente. Coloque uma caneta ou algum outro objeto diferente no lugar. Assuma um compromisso (com amigos ou parentes) que o dê a motivação para se manter firme. Se quiser ir ainda mais longe, coloque-se em uma situação constrangedora (como gritar "PORCO!") sempre que perceber que vai cair no padrão limitante, para que você associe a dor do constrangimento ao padrão. O importante aqui é que a interrupção aconteça na hora, então atenção para não perder o timing.

Podemos usar também a técnica do embaralhamento para lidar com padrões em nossas memórias. Sabe aquele dia há tanto tempo atrás que até hoje te assombra e faz sentir vergonha, medo, ou frustração? Tente reviver essa situação. Depois, comece a modifica-la. Imagine que ela se pareça com um desenho animado, passe ela de frente para trás e de trás para frente, como um "filme" dentro de sua cabeça. Adicione alguma música cômica e dê características bizarras aos participantes dessa memória (orelhas de coelho, narizes grandes, olhos cartunescos...). Repasse essa imagem várias e várias vezes em sua cabeça, criando um padrão neural relacionado à essa memória. Depois tente revivê-la e veja se ainda sente as mesmas coisas desagradáveis de antes. Normalmente, as sensações relacionadas estão embaralhadas demais para serem as mesmas de antes, e podemos nos libertar de momentos que nos assombrem talvez há anos.

QUARTO PASSO: CRIAR PADRÕES ALTERNATIVOS

Já pensamos no que queremos, qual a dor que isso nos causa e o prazer que podemos sentir se mudarmos. Também conseguimos mudar nossos padrões para que paremos de cometer os mesmos erros. Agora, precisamos inserir algo construtivo no lugar desse padrão.

Pensem, novamente, em alguém que esteja querendo parar de fumar. A pessoa pode tentar largar "à força", por pressão da família ou de alguém próximo. Nesse caso, ela provavelmente não vai conseguir largar o vício por muito tempo.

Ela também pode tentar mudar por pressão própria. É possível que ela ligue tanta dor ao hábito de fumar que essa dor ultrapasse a dor de largar. Como isso é um estímulo interno, as chances de largar o vício aumentam, mas ainda não são absolutas.

É possível ainda, que, além de largar o hábito de fumar, a pessoa em questão o substitua por alguma outra atividade que gere prazer. Pode ser alguma atividade física, por exemplo. Quando o prazer começa a entrar no lugar que antes era ocupado pela dor, a mudança começa a acontecer de fato. Mas ainda não é necessariamente definitiva. Para ser definitiva, falta um passo:

QUINTO PASSO: CONDICIONAR O COMPORTAMENTO

Precismos não apenas definir nosso novo comportamento, mas repetir ele de forma consistente até que consigamos estabelecer ele como a norma, ao invés do nosso comportamento anterior. 

Outro fator importante é o de nos recompensarmos quando realizarmos esse novo hábito. Quando precisamos treinar animais (como cães ou golfinhos), damos a eles uma recompensa quando fazem o que pedimos. Assim, com o tempo eles passam a entender que, ao ouvir um certo comando, eles devem executar uma dada ação, devido à expectativa de uma recompensa ao final.

De forma semelhante, precisamos nos recompensar quando conseguimos implantar a mudança que buscamos. Mas devemos tomar cuidado para não tornar a recompensa trivial e precisamos que ela seja especial ou inesperada, quando possível. Pense em uma pessoa em um emprego comum. A recompensa do contracheque no final do mês é boa (e mantém muitos de nós no emprego, mesmo quando não gostamos), mas não é o suficiente para nos estimular a dar 100% de nossa capacidade. Ela é previsível demais. Um bônus, uma promoção ou algo que estimule nosso desenvolvimento, por outro lado, já acontece quando conseguimos nos esforçar ao máximo e trazer resultados. Não são recompensas que acontecem toda hora, então estamos sempre nos esforçando para consegui-las.

SEXTO PASSO: TESTE!

Já chegamos até aqui, então vamos dar uma revisada no que fizermos:
  • Já decidimos o que queremos no passo 1;
  • Conseguimos associar dor e prazer aos comportamentos para nos forçar a mudar;
  • Aprendemos a interromper nossos padrões limitantes;
  • Criamos padrões construtivos alternativos;
  • Condicionamos esses padrões.
Agora, precisamos "ensaiar" nossa nova rotina para garantir que ela funcione. Para isso, imagine uma situação que lhe deixe desconfortável ou constrangido, algo que faria com que você se voltasse para algum padrão limitante ou destrutivo de comportamento. Veja se a vontade de cair nesse padrão novamente ainda está lá, ou se já foi substituída pelo novo padrão. Pense no impacto que esse novo comportamento tem na sua vida e na daqueles ao seu redor. Se ainda estiver preso ao comportamento antigo, talvez você deva retornar aos passos anteriores e se perguntar se não há nada que precise mudar. Você sabe mesmo o que quer? Conseguiu atingir o limite de dor para que queira mudar de fato? Conseguiu de fato interromper seus padrões limitantes e substituí-los por padrões construtivos? Condicionou esses padrões da forma correta? Pergunte-se isso e revise o procedimento até conseguir caminhar na direção que quer. O esforço vale a pena hahahaha.

E aí pessoal, o que acharam? Fazia algum tempo que eu não aparecia por aqui com meus textões HAHAHA. Coloquem aí nos comentários se algo foi útil ou se tem alguma coisa a acrescentar! Até a próxima!

Jão

10 comentários

  1. achei legal a proposta do livro e os passos, gosto muito de qualquer dica que nos ajude a manter o foco no que queremos!

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  2. Não conhecia esse livro, mas me deixou bem curiosa, afinal, tudo o que nos faça melhorar/nos ajudar, é válido!

    Beijo!
    Cores do Vício

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  3. nossa, que indicação super bacana! eu to super atras de algum livro com essa temática

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  4. Outro dia quase assisti a um documentário sobre o Anthony na Netflix. Agora lendo essa postagem, acho que vou assistir. Tenha um dia abençoado, beijos!

    Blog Paisagem de Janela
    paisagemdejanela.blogspot.com.br

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  5. Não conhecia esse livro e nem o autor, mas eu gostei bastante do que você nos trouxe sobre.
    Eu gosto de livros de ‘auto ajuda’, de comer sermos pessoas melhores e conseguir o que queremos. Li recentemente ‘O Poder das Afirmações Positivas’ e achei ótimo!
    E difícil desse, aliás achei esse bem mais completo e complexo, mas acho que vale muito a leitura né não? ;)

    https://heyimwiththeband.blogspot.com.br

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  6. Arrasou Jão!!Você escreve muito bem,me interessei muito neste livro.Vou ler com certeza!!
    Muitos beijos 💜
    http://www.ummimoso.com/

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  7. Achei bacana a proposta do livro, não conhecia!
    http://marymicucci.com

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  8. Me pareceu ser um método bem interessante de desenvolvimento pessoal Jão. O post já ficou incrível, imagino que o livro tenha ainda mais detalhes bacanas sobre cada etapa. Adorei!

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  9. Fiquei muito curiosa pra ler! <3 Vou ver se pesquiso um pouco mais! Adorei a temática!

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  10. Fe&Jão eu coloquei seu blog no meu favoritos pra ler sempre! Esse texto vai pra uma pessoa muito querida que tá precisando desses passos pra começar a superar uma depressão!

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