DICA DE CURSO: APRENDENDO A APRENDER

Bom dia meus queridos e queridas, Jão falando aqui e trazendo para todos vocês uma pequena atividade de um curso gratuito e online que fiz recentemente: vou dividir com vocês meu dever de casa =D.

Aí vocês já param de ler por aqui o post e me perguntam: "Tá zuando com a minha cara, né?"

Calma meus queridos, prometo que é por uma boa causa que pode ajudar todo mundo por aqui, seja em escola ou trabalho. O texto serve como uma divulgação e, eu espero, um pouco de inspiração para ajudar todo mundo a procurar um novo caminho (se estiver interessado) ou se aprofundar no que já faz de forma mais eficiente. Então bora lá!

Primeiramente, o curso se chama (como o título da postagem indica) "Aprendendo a Aprender", disponível na plataforma online Coursera e vocês podem ler um pouco mais sobre ele aqui. Eu fiz ele depois de ficar sabendo em um post do Facebook sobre a premissa do curso. Como venho buscando me reinventar um pouco de uns tempos pra cá, ficou claro pra mim que aprender a aprender da forma mais eficiente possível era simplesmente a mais fundamental técnica que eu poderia desenvolver (e que, curiosamente, nunca me foi ensinado em escola ou faculdade).

Como eu disse, esse post é meio que um "dever de casa" que o curso traz como atividade final, onde o objetivo é compartilhar três assuntos que foram cobertos ao longo do curso. Então sem mais enrolação, aqui vão três tópicos principais (e mais algumas coisinhas que eu considero importantes demais para deixar de lado).

1. Modos de pensar: focado e difuso

Por mais que a maioria das pessoas (inclusive eu) prefiram saber direto técnicas concretas de aprendizado que possam ser aplicadas no dia-a-dia, acho que primeiro a gente precisa entender o fundamento de todo nosso aprendizado: nossa forma de pensar.

Basicamente, podemos dividir nossa forma de pensar em duas: pensamento focado e pensamento difuso. 

O pensamento focado exige a nossa concentração intensa. É como nós pensamos quando precisamos resolver algum problema de matemática ou quando tentamos aprender a tocar uma música. 

Por outro lado, o modo difuso é um modo mais disperso e "global", onde não nos concentramos em algo específico, mas que nem por isso é um modo sem importância. Na verdade, o modo difuso é de extrema importância para conseguirmos realizar com sucesso uma tarefa que seja nova para nós ou de elevado nível de complexidade.

Colocando de forma mais simples, nossa forma de pensar é como uma lanterna: quando precisamos nos concentrar em algo que conhecemos de forma intensa, ajustamos o feixe de iluminação de forma que ele se concentre em um ponto, o que nos ajuda a enxergar mais longe. Mas quando não sabemos exatamente para onde ir, é mais útil deixar o feixe de luz mais disperso, mesmo que não consigamos ver muito longe como ele nesse modo.


O pensamento focado é como a lanterna à esquerda, com os feixes de luz concentrados em um ponto. Já o pensamento difuso funciona como a lanterna da direita, sem se concentrar em algo, mas iluminando uma área maior

Aí vocês me dizem "beleza, mas de que me serve esse monte de palavreado complicado?".

Bom, a mágica da coisa está justamente no fato de que, quando estamos querendo aprender algo novo, precisamos saber alternar nossas formas de pensar. Quando formos começar a ler um capítulo em um livro didático, por exemplo, podemos começar simplesmente folheando as páginas do capítulo, sem focar em nada atentamente. Só precisamos parar para ver os subtítulos de cada seção, as gravuras, equações (se for o caso de algo na minha querida área de exatas). Nada que exija muito esforço, mas que prepare nosso cérebro para o que está por vir.

Uma vez que folheamos tudo, é hora de focalizar nossa lanterna mental. Vamos lendo atentamente, absorvendo o que pudermos, mas sem ter preocupação excessiva em compreender tudo. Isso vem depois. 

E o que fazemos depois dessa seção de foco intenso? Descansamos. Sim, descansamos, ou nos damos qualquer outra recompensa (lembrem da importância de se recompensar que discutimos no post do livro "O Poder do Hábito"). O importante nessa parte é não ficar pensando de forma intensa no que acabamos de estudar. Quando fazemos isso, nosso cérebro entra no modo difuso, e quando ele faz isso, continua a processar o que aprendemos em nossa seção de estudos, mas dessa vez em segundo plano. 

Basicamente, nosso cérebro continua trabalhando mesmo quando não está fazendo isso de forma consciente. Não importa se estamos caminhando, jogando video-game, vendo um filme ou tocando/ouvindo música. Nosso cérebro está sempre trabalhando em segundo plano (mesmo durante o sono!), e essa fase é fundamental para consolidar o aprendizado.

Todo mundo já deve ter passado na escola ou faculdade por aqueles deveres de casa difíceis que parecem que não dá pra resolver. No entanto, algumas horas depois de termos desistido de resolver ou no dia seguinte, a resposta aparece que nem mágica na nossa cabeça. Pois é, o modo difuso continuou trabalhando no problema, mesmo quando paramos de focar nele, e ficou traçando paralelos e associando informações na nossa cabeça, mesmo que não soubéssemos. Então fica a dica: quer começar a aprender algo ou está empacado em algum problema específico? Aprenda a importância de parar e descansar, nosso cérebro vai continuar trabalhando para nos ajudar.

Beleza, agora sabemos um pouco sobre como nós pensamos e qual a importância de usar isso a nosso favor. Mas qual seria o próximo passo? Bom, para conseguirmos aplicar nossas técnicas de forma eficaz, precisamos conhecer a...

2. Associação em blocos (ou "chunking")

Podemos representar nossa memória de duas formas distintas: a memória de trabalho e memória de longo prazo.

A memória de longo prazo funciona como um armazém que abriga bilhões de itens que coletamos ao longo de nossas vidas. É para ela que nos voltamos quando precisamos relembrar algum acontecimento importante que vivenciamos no passado, por exemplo. A memória de trabalho está focada no que acontece agora. É onde armazenamos informações que precisamos de imediato, como quando queremos memorizar um número de telefone antes que possamos anotar em algum lugar. Ao contrário da memória de longo prazo, a memória de trabalho só consegue armazenar, em média, quatro itens.

E aí está você: "ZZZZZZZZzzzzzZZZzzzZZzZZZZ. Ãnh? Perdi alguma coisa? Achei que fosse falar de alguma coisa sobre 'blocos' ao invés de memórias".

Bom, conseguimos formar blocos graças a nossa queria memória. Os "blocos" ou "chunks" que falei são informações conectadas entre si pelo seu significado. Quando estamos aprendendo algo novo, pegamos vários "pedaços de informação" que ocupam os quatro espaços da nossa memória de trabalho. Mas conforme conseguimos conectar essas informações umas às outras, elas formam "blocos" de conhecimento que passam a ocupar menos espaço. Conforme conectamos mais e mais esses blocos entre si, conseguimos ter fácil acesso a esse conhecimento sem precisar ocupar nossa memória de trabalho inteira, o que torna as coisas bem mais fluidas.



Conforme associamos as informações na nossa memória de trabalho, elas passam a ocupar menos espaço, e ficam condensadas em uma única idéia.

Para simplificar: se tem alguém que é músico por aí, é só parar pra pensar no que é uma música. Um agregado de letras e instrumentos tocando no fundo que compõem a obra como um todo. Quando vamos aprender a tocar a música, aprendermos partes dela de cada vez. De riff em riff, aprendemos pequenos "blocos" que, com o tempo, vamos conectando até conseguir tocar a melodia inteira. Adicionamos depois a letra e todos aqueles blocos pequenos vão virar esse grande bloco que é a música. A essa altura, não precisamos mais parar pra pensar em que parte da melodia vamos tocar ou cantar. Ela vem naturalmente, pois está tudo agregado em nossa memória.

"Então basta eu tentar aprender algo uma vez e depois associar a alguma coisa relacionada que tá tudo certo?" Quase. Existem três passos básicos para formar um bloco:

  • Foco: é quando nos concentramos na informação que queremos guardar e analisamos ela. 
  • Compreensão: como é dito no curso, a compreensão é a "cola" que gruda as informações no nosso cérebro. Para guardar algo de forma eficiente, precisamos entender do que se trata. Mas para aprender algo de forma eficitente, precisamos da...
  • Repetição: Usar a informação de forma repetida é o que faz ela ficar gravada na nossa cabeça. Para manter algo em nossa memória de trabalho, precisamos ficar repetindo a informação. Mas mesmo quando se trata da memória de longo prazo, a repetição vai fazer com que seja possível acessar a informação de forma rápida. Mas aqui é que tem o pulo do gato: repetir trezentas mil vezes a mesma coisa em uma hora não vai garantir que você consiga guardar aquela informação pra sempre. É mais eficiente repetir a informação de forma espaçada. Treine a informação hoje. Amanhã volte e revise. E depois de amanhã, e depois e com o tempo vá aumentando o período entre revisões. Repetir algo ao longo de vários dias é comprovadamente melhor do que repetir trocentas vezes no mesmo dia.
Bom, depois desse monte de teoria (que pode ser uma aula por si só), chega a hora de nós mergulharmos um pouco nas...

3. Técnicas para aprender e combater a procrastinação

"Finalmenteeeeee, algo para aplicar no que eu quero!". Bom, estritamente falando, tudo o que falei ali em cima vai acabar sendo aplicado de forma direta ou indireta. Mas aqui vão algumas dicas para ajudar de forma concreta.

      3.1. Listas

"Poxa, sério que você acha que fazer uma lista de obrigações vai me ajudar? Minha lista já tá pronta, meu querido, e tem vida própria. Quer ver? MÃÃÃÃÃÃE, NÃO TEM NADA PRA FAZER!"

Mãe, do outro lado da casa: "VAI LIMPAR SEU QUARTO, LAVAR A LOUÇA, BOTAR A ROUPA PRA LAVAR, ARRUMAR A CAMA, ESTUDAR, FAZER COMPRAS, CAPINAR O LOTE ALI ATRÁS, BATER UMA LAJE, PINTAR A PAREDE, INVENTAR ALGUMA COISA ABSURDA, CONTAR O NÚMERO DE ESTRELAS NO CÉU, FAZE...."

"TÁ BOM MÃE, JÁ VOU. Viu?"

Mães <3. De qualquer forma, não é exatamente isso que eu quero dizer. Vou falar aqui logo: enquanto você deixar as suas tarefas na sua cabeça (ou da sua mãe), elas vão ocupar espaço precioso na sua memória.

"Beleza, deixa eu escrever num papel então: desenvolver um reator de fusão nuclear na minha garagem. Pronto, assim?"

Nope. Se você escreve algo absurdo na sua lista de tarefas, tudo o que você vai conseguir é olhar pra lista e falar: "amanhã eu faço". Se a tarefa parece grande demais para fazer de uma vez só, quebre ela em pedaços menores. Talvez antes de inventar um reator de fusão nuclear, seja mais fácil procurar algum livro ou pesquisador de referência que possa ajudar. Depois, estudar, estudar e estudar. Depois listar a teoria. Depois, verificar os materiais e mão de obra. Depois perceber que, se tem uns motherfuckers tendo dificuldade pra fazer uma porra parada dessas num laboratório ultra equipado na Alemana, talvez seja difícil fazer na sua garagem (a não ser que você seja o Tony Stark).

Moral da história: faça uma lista curta, listando apenas os itens mais importantes para você atingir seus objetivos no momento. Uma regra boa é fazer uma lista com, no máximo, três itens (embora isso dependa muito da quantidade de tempo livre que você tem). Cada atividade da sua lista deve focar em um processo ao invés de um produto (por exemplo: "Estudar matéria do capítulo X para a prova" ao invés de "terminar o capítulo X"). Isso ajuda a evitar a "culpa" quando não conseguimos atingir o objetivo estabelecido. E, acima de tudo, sua lista tem que estipular uma hora para você parar de estudar ou trabalhar. Lembrem-se, o descanso é uma das partes mais importantes do aprendizado.

      3.2. Técnica do pomodoro

Agora que a lista tá pronta, resta atacar ela.

Aí você se depara com a tarefa: "levar o Péricles (obviamente é um cachorro) pra passear."

"Ah, depois eu faço".

Achou que só fazer uma lista iria eliminar nossa deliciosa procrastinação? Jamais. Ela está sempre lá, se aproveitando de nós quando pode. Mas podemos contornar ela.

Precisa atacar um problema chato? Coloca um despertador no celular. Enquanto o despertador não tocar, você não vai deixar nada te distrair. Nem WhatsApp, nem Facebook, nem a sua mãe pedindo pra levar o Péricles pra passear. Durante esse tempo, seu foco vai ser absoluto. 

O despertador tocou? Hora de se recompensar com aquela surfada na web ou o que quer que dê vontade de fazer.

"Mas Jããããão, quanto tempo eu preciso colocar no timer do celular?". O tempo mais comum é 25 minutos de trabalho intenso, seguido de 5 minutos de descanso. Depois de 4 seções de foco, dê a si mesmo um descanso mais prolongado (pode ser meia hora ou mais, depende de cada um).

Claro que isso não é uma regra imutável. Eu mesmo, enquanto estou escrevendo esse post coloquei um timer de uma hora. Mas mesmo depois que esse timer tocou, percebi que ainda estava no embalo para escrever, então ignorei e continuei escrevendo. Mas quando a tarefa é mais massante, eu opto pelos 25 minutos seguidos por 5-10 minutos de descanso.

      3.3. Palácio das memórias

Quem já viu The Mentalist aí já vai conseguir antecipar essa.

O palácio das memórias é uma técnica que se aproveita de um ambiente familiar à pessoa (pode ser a casa, escola, escritório ou qualquer outro lugar. O importante é conhecer bem).

Uma vez que esse lugar esteja nítido na mente, é hora de colocar as informações. Mesmo que as informações não estejam conectadas entre si, você pode gravar elas mais fácil criando analogias exageradas e colocando ela em pontos estratégicos do seu palácio particular. Quero dar ênfase aqui ao termo exageradas. Nosso cérebro nunca se lembra do normal, mas adora exageros. Você nunca se lembraria por muito tempo de uma senhora normal andando com um cachorro normal em uma praça normal. Mas se visse um bebê de dois metros usando somente fraldas, passeando com um coelho do tamanho do perna-longa usando uma cartola e preso por uma coleira de diamantes você contaria até para os seus tatatatataranetos daqui a 500 anos.

Dessa forma, se você precisa memorizar uma lista de compras contendo: ovos, pasta de dentes, couve, manteiga e óleo, você pode se imaginar chegando na sua sala e encontrando o Detonator (obviamente todos vocês sabem que é o vocalista do Massacration, maior banda de heavy metal da história), com um cabelo de couve, fazendo malabarismo com ovos gigantes na frente de uma frigideira transbordando com óleo, molhando toda a mesa. No sofá da sala, tem um tubo de pasta de dentes gigante sendo espremido e soltando manteiga. 

É uma cena absolutamente sem sentido? Claro que sim, e pode ter certeza que ela não vai ser esquecida tão cedo. Se quiserem ir além, tentem adicionar outros sentidos: sintam o cheiro do óleo na frigideira, a textura da manteiga. Imaginem os ovos caindo e quebrando e ouçam o som. Quanto mas vívida a imagem, melhor.

Embora eu tenha usado um exemplo banal como uma lista de compras curta, dá pra usar essa técnica para memorizar uma infinidade de coisas. Nossa imaginação é ilimitada, e, quanto mais usamos ela, mas natural fica o processo de memorização. Tentem usar ela na próxima vez que forem estudar algo e vejam por si mesmos se assi
milar informações fica mais fácil ou não.

Ufa! Acho que esse é o post mais longo que escrevi por aqui (embora provavelmente vou editar inúmeras vezes para condensar o que puder, evitando que fique uma leitura muito longa e tediosa). Para aqueles que gostaram e querem conhecer mais, deixei o link para a página do curso ali em cima. Se quiserem mais algumas fontes, tem esse livro, que traz basicamente o que é coberto no curso e é escritro pela professora instrutora do curso.

Pra quem conseguiu chegar até aqui, deixe aí nos comentários sugestões ou dúvidas, estamos sempre abertos a mais discussões e materiais relevantes!

Até a próxima pessoal!

Jão

5 comentários

  1. Oi Jão!
    Gostei das dicas, ainda mais que eu sou uma procrastinadora nata hahaha!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  2. Mas Jão, esse post é praticamente um curso sobre aprendizado, maravilhoso! Essa técnica de usar listas funciona demais pra mim. E adorei conhecer os demais métodos. Um beijo!

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    1. hahahaha é bastante coisa, mas se você ir lá conferir o curso vai ver que tem muito mais detalhes que podem ajudar bastante na hora de aprender.

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  3. Uau esse post serviu como uma luva para mim
    bj

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